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Disfunção erétil pode ser o primeiro sinal de problemas no coração

*Essa matéria conta com a colaboração do médico Dr. Luis Henrique Nunes

Dr. Luis Henrique Nunes explica que a dificuldade de ereção pode anteceder eventos cardiovasculares em até cinco anos e servir como alerta para identificar riscos antes de um infarto

A relação entre disfunção erétil (DE) e problemas cardiovasculares é direta. De acordo com o Médico do Núcleo GA, Dr. Luis Henrique Nunes**, ambas as condições compartilham o mesmo ponto vulnerável: o endotélio, camada que reveste os vasos sanguíneos. Quando há inflamação, acúmulo de gordura, resistência à insulina ou hipertensão, essa estrutura perde a capacidade de produzir óxido nítrico de forma adequada — substância essencial para a dilatação dos vasos e para o mecanismo de ereção.

O médico destaca que, por esse motivo, a disfunção erétil funciona como um marcador clínico precoce de doença aterosclerótica do coração, condição em que as artérias que levam sangue ao músculo cardíaco ficam estreitas ou bloqueadas pelo acúmulo de placas de gordura, colesterol e outras substâncias. “Muitos estudos mostram que homens com DE têm risco aumentado de infarto, AVC e até morte súbita nos anos seguintes”, afirma. Segundo o Dr. Luis, a DE deve ser vista não apenas como um problema sexual, mas como um sinal de alerta vascular.
Essa relação se torna ainda mais clara quando se compara o calibre dos vasos sanguíneos. O médico lembra que os vasos do órgão sexual masculino têm diâmetro entre 1 e 2 mm, enquanto as artérias coronárias medem de 3 a 4 mm. Como a aterosclerose começa de forma silenciosa e atinge primeiro os vasos mais finos, a dificuldade erétil costuma aparecer anos antes de surgir dor no peito, falta de ar ou um infarto. “Esse intervalo, geralmente de três a cinco anos, é a nossa ‘janela de oportunidade’ para identificar risco cardiovascular e agir de maneira precoce”, explica.

Para o Dr. Luis, a DE sem fatores emocionais evidentes ou sem uso de medicações específicas deve ser encarada como um possível marcador cardiovascular que deve ser investigado por exames como o Doppler peniano com  teste de ereção fármaco-induzido (TEFI) e uma avaliação cardiológica completa: “Esses exames também podem incluir escore de cálcio coronário — considerado padrão-ouro para estratificação do risco aterosclerótico — além de teste ergométrico, eletrocardiograma, ecocardiograma sob esforço e avaliação do índice tornozelo-braquial”.
No campo metabólico, o médico cita a importância de analisar glicemia, insulina, HOMA-IR, hemoglobina glicada, perfil lipídico completo, função renal e hormônios como testosterona, prolactina e TSH. Entre os sinais clínicos que merecem atenção redobrada, o Dr. menciona ganho rápido de peso, perda de libido associada, fadiga crônica, hipertensão, roncos importantes e histórico familiar de infarto precoce.

O médico reforça que obesidade visceral, resistência à insulina, sedentarismo e distúrbios como pré-diabetes e hipertensão fazem parte do chamado eixo cardiometabólico. “Esses fatores contribuem para inflamação sistêmica, disfunção endotelial, redução do óxido nítrico e progressão da aterosclerose”, afirma. Esses mecanismos, destaca, ajudam a entender por que a síndrome metabólica é hoje reconhecida como uma das principais causas de disfunção erétil orgânica. Quanto mais avançado o quadro, maior a chance de a DE aparecer como primeiro sinal.
Ao falar sobre os tratamentos, o Dr. Luis Henrique Nunes explica que a abordagem eficaz depende de dois pilares complementares. 

O primeiro envolve intervenções medicamentosas, como: inibidores da PDE5 (tadalafil, sildenafil), terapia intracavernosa e reposição hormonal quando indicada. 

Já a segunda frente se concentra na correção da base metabólica e vascular, o que inclui redução de peso, controle rigoroso da Lipoproteína de Baixa Densidade (LDL), tratamento da hipertensão, melhora da glicemia e da resistência à insulina, prática de atividade física estruturada, além de ajustes no sono e na gestão do estresse.

Com a evolução clínica dos pacientes, o médico costuma observar uma melhora importante na resposta aos medicamentos quando há ganho de saúde vascular e metabólica. Em algumas situações, relata que ocorre até mesmo recuperação espontânea da ereção, sem necessidade de uso contínuo de remédios.

Para o médico, a disfunção erétil deve ser encarada como um verdadeiro indicador da saúde global do homem. “A ereção depende do mesmo sistema vascular que protege seu coração”, reforça. Na visão dele, quando a DE aparece, muitas vezes é porque há algo mais profundo no organismo que precisa ser investigado.

O recado final é direto: não tratar o sintoma como algo isolado. “A DE pode ser a sua grande chance de prevenir um infarto, ajustar hábitos e recuperar não só sua vida sexual, mas sua saúde como um todo”, conclui.

**Dr. Luis Henrique de Sá Nunes
CRM- BA 22602 | CRM - PE 25358 RQE 4158 - Médico urologista e andrologista com atuação em nutrologia e medicina do esporte