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Terapias modernas para queda capilar: o que há de mais atual em dermatologia e medicina regenerativa?

*Essa matéria conta com a colaboração da médica Dra. Ingrid Campos

Em meio ao aumento de quadros de queda associados ao emagrecimento acelerado, terapias regenerativas ganham protagonismo no consultório

Nos últimos meses, dermatologistas têm observado um aumento expressivo no número de pacientes relatando queda capilar após iniciarem medicamentos para emagrecimento, especialmente os agonistas de GLP-1, como tirzepatida. Segundo a Dermatologista do Núcleo GA, Dra. Ingrid Campos**, esse aumento tem sido constante na prática clínica e está diretamente associado à perda rápida de peso e ao estresse metabólico.“Atendi uma paciente de 42 anos que começou a notar queda intensa de cabelo cerca de 10 semanas após iniciar o tratamento para perda de peso”, relata. A médica explica que, nesses casos, costuma ocorrer um eflúvio telógeno temporário desencadeado pelas mudanças abruptas no organismo. Ela destaca ainda que estudos recentes mostram que cerca de 4% a 5% dos usuários desses medicamentos relatam alopecia por deficiências nutricionais, alterações hormonais e outros mecanismos desencadeados durante o emagrecimento acelerado. 

Esse cenário fez com que terapias modernas e estratégias regenerativas ganhassem centralidade no cuidado dos cabelos. Para a Dra. Ingrid Campos, a dermatologia atual oferece recursos capazes de acelerar a recuperação, melhorar a densidade dos fios e atuar diretamente na saúde do folículo.

De acordo com a dermatologista, a medicina regenerativa está transformando a forma como os médicos tratam a queda capilar.

Outro recurso cada vez mais presente em sua rotina é o uso de exossomos autólogos por meio do Exocube. A médica explica que esse método promove a redensificação e aumento do volume capilar utilizando substâncias regenerativas produzidas pelo próprio organismo. “Essa tecnologia mudou completamente a forma como abordamos a queda e o afinamento capilar”, complementa

A Dra. Ingrid reforça que a personalização é parte essencial das terapias modernas. O tratamento da alopecia androgenética, por exemplo, varia significativamente entre homens e mulheres devido às diferenças hormonais e aos perfis de risco.

Nos homens, o foco costuma ser o bloqueio da enzima 5-alfa-redutase, responsável pela conversão da testosterona em DHT. Ela exemplifica através do  caso de um paciente de 28 anos que conseguiu evitar a progressão da calvície frontal com o uso de finasterida associado ao minoxidil tópico.

Nas mulheres, a conduta precisa ser ainda mais cuidadosa. A médica explica que medicamentos como finasterida e dutasterida podem interferir no equilíbrio hormonal e na gravidez, por isso prioriza espironolactona, minoxidil e terapias tópicas. A Dra. menciona o caso de uma paciente de 45 anos, com rarefação no topo da cabeça, que apresentou melhora importante com espironolactona e MMP. Além disso, reforça que investigar tireoide e níveis de ferro é fundamental, especialmente na menopausa.

Para a Dra. Ingrid Campos, a prática moderna exige olhar além do couro cabeludo, ela afirma que o cabelo funciona como um reflexo global da saúde. “O cabelo é quase como um termômetro do corpo todo”, observa.

Por isso, orienta ajustes de hábitos diários: priorização de proteínas, ômega-3, vitaminas como biotina e vitamina D, além de minerais essenciais. Ela explica que condições metabólicas como hipotireoidismo ou diabetes reduzem a nutrição que chega aos fios pela circulação sanguínea, o que pode agravar a queda. Já fatores como estresse crônico, fumo, álcool em excesso e sedentarismo também contribuem para o enfraquecimento capilar.

A dermatologista conclui que, na prática clínica, a condução dos casos de queda capilar costuma exigir uma abordagem integrada que combina terapias regenerativas, medicamentos tradicionais, avaliação metabólica e orientações de estilo de vida conforme a necessidade de cada caso.

**Dra. Ingrid Campos - Médica Dermatologista 
CRM-SP 185549 | RQE 99112

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